A participação do Brasil no comércio exterior dos demais países da América Latina não é mais tão importante e necessária como era anos atrás. A afirmação é do especialista em comércio internacional Francisco Américo Cassano. De acordo com ele, a falta de competitividade dos produtos brasileiros, atrelada à quantidade baixa de acordos comerciais por conta do Mercosul, impede o Brasil de ampliar relações com seus países vizinhos.
“O Brasil não é mais tão importante para os demais países da América do Sul como foi em outros tempos; ao mesmo tempo eles não vão salvar a nossa balança comercial de um possível déficit ou de um grande aumento. A tendência é de não haver progresso nessas relações comerciais”, frisa Cassano.
Ele sinaliza ainda a necessidade de criação de uma união aduaneira com todos os países da América do Sul, do Norte e Central para proteção do continente, assim como ocorre na União Europeia, para que as balanças comerciais sejam protegidas e tenham vantagens frente aos produtos de outros blocos.
“A estratégia é a área de livre- -comércio efetivo. Os países devem se completar, um vender ao outro com isenção de tarifas, e, se for importar de um país de fora dessa livre aduana, deve haver uma TEC [Tarifa Externa Comum] e isso deve ser respeitado. Não podemos voltar a ter uma Alca [Área de Livre-Comércio das Américas]: já não deu certo uma vez, não dará de novo. Um mercado comum no bloco americano não dará certo. Precisamos de uma união aduaneira”, explica.
Na análise de outro especialista do setor que preferiu manter sigilo, o correto seria o Brasil se desligar do Mercosul e expandir seus horizontes comerciais por meio de acordos de livre-comércio, acordos sanitários e ampliação das relações internacionais.
“O Brasil deveria sair do Mercosul, mas não vejo como, pelo compromisso político, pois o Brasil é uma alavanca para os hermanos de países menos desenvolvidos. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez essa corrente, atrelou o País a outras nações sem força econômica, como no caso com Hugo Chávez, ele atrelou as relações econômicas para viabilizar sua campanha política, e consequentemente, o seu partido. Economicamente falando, isso atrapalha em muitos aspectos o desenvolvimento do País, que precisa voltar a ser independente”, pondera.
Na visão de Cassano, o Brasil, por força do Mercosul, fica impedido de manter relações bilaterais que poderiam aproximar outras economias importantes, de maneira mais interessante; ao mesmo tempo, perde competitividade frente a outras nações, o que freia novamente sua ascensão comercial com outros países.
“Hoje o Brasil não pode ter acordos com outros países sem a aprovação de Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do Mercosul, e com isso perde na oferta de produtos de qualidade e preço para outros países, como a China”, argumenta.
Por: Karina Nappi
Fonte: Panorama Brasil
Parceiros?
Para Cassano, as coisas entre Brasil e Chile vão de mal a pior, pois os brasileiros compram matérias-primas, principalmente as metálicas, alimentos e vinhos, enquanto “um dos principais parceiros na América Latina, que enfrentou um terremoto e já se recuperou, pela situação econômica e financeira confortável mantém relações importantes com a Europa e os Estados Unidos e [está] em vias [de fazê-lo] com a Ásia por não ter vantagens em comercializar com o Brasil, seu vizinho.”
Com relação ao Peru, que enfrenta o segundo turno das eleições presidenciais, a fonte do setor é enfática: “Se a candidata direitista Keiko Fujimori for eleita, as relações com o Brasil devem ter uma queda brutal, para que o governo brasileiro não seja chamado de traidor; já no caso de o candidato esquerdista Ollanta Humala vencer, as relações tendem a ficar estáveis”, explica, e acrescenta: “A entrada da Venezuela no Mercosul é outro dilema político, não econômico. O Brasil fez errado ao aprovar a entrada por conta da ligação entre Lula e Hugo Chávez e agora a presidente Dilma Rousseff, por debaixo dos panos, segura a eleição no Paraguai para que efetivamente o país entre no bloco e dê mais dor de cabeça.”
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