sexta-feira, 19 de agosto de 2016

OEA pede ao Brasil explicações sobre processo de impeachment de Dilma

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou na última terça-feira (16) ao governo brasileiro um documento no qual pede explicações sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, atualmente afastada do cargo (veja mensagem enviada pela OEA abaixo).
O pedido de explicações enviado pela OEA foi enviado uma semana após parlamentares petistas acionarem a entidade com o objetivo de suspender o andamento do processo de impeachment de Dilma.
No pedido, enviado no último dia 10, com cerca de 100 páginas, os parlamentares alegam que a petista é uma “vítima” no processo e apontam “vícios” como, por exemplo, suposto desvio de poder cometido pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que acolheu o pedido de impeachment. Atualmente, Cunha está afastado do mandato pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre as explicações solicitadas pela OEA ao Brasil, estão, por exemplo, informações sobre o atual estado do processo; se as decisões tomadas até aqui são “passíveis de revisão judicial”; se existem recursos judiciais pendentes; e se o processo está “de acordo com as normas ou jurisprudência aplicáveis”.
Procurado pelo G1, o Itamaraty confirmou ter recebido o pedido de explicações. Além disso, informou que a resposta do governo brasileiro, “coordenada entre os órgãos competentes, encontra-se em processo de elaboração.”
Fase do processo
No último dia 10, o plenário do Senado aprovou, por 59 votos a 21, levar Dilma a julgamento final, o que a tornou ré no processo.
O julgamento, então, foi marcado para o próximo dia 25 e, conforme previsão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode se estender por até quatro dias.
Conforme a assessoria da petista, Dilma fará sua defesa pessoalmente no Senado e responderá a eventuais questionamentos elaborados por senadores. O depoimento dela está previsto para o dia 29.
O pedido do PT
No documento enviado à OEA, os parlamentares do PT diz que “estamos diante de uma situação que não pode ser solucionada por meio de recursos internos”.
Eles justificam, então, que procuraram a entidade internacional porque é necessária uma medida “urgente” contra o impeachment, já que o processo pode “materializar-se em um dano irreparável ao exercício dos direitos políticos”.
A cada dia que Dilma permanece afastada, dizem os petistas, “temos por consequência uma privação dos nossos direitos como cidadãs e cidadãos do direito de eleger e de participar.”
"A presidenta Rousseff será – quase com certeza, podemos dizer – destituída e inabilitada mediante uma flagrante e confessada violação de seus direito s humanos políticos e de garantias", diz trecho do documento.
Cópia da mensagem enviada pela OEA aos deputados que acionaram a entidade contra processo de impeachment de Dilma (Foto: Reprodução)


Fonte: GI

Corte Interamericana de Direitos Humanos publica decisão sobre caso de desaparecimento forçado

No dia 17 de agosto de 2016, A Corte Interamericana de Direitos Humanos publicou a sentença do caso Tenorio Roca e outros vs. Peru, submetido à jurisdição da Corte no ano de 2014.
A Corte Interamericana declarou a República do Peru como internacionalmente responsável pelo desaparecimento forçado do Sr. Rigoberto Tenorio Roca, ocorrido em julho de 1984, sem que se saiba do seu paradeiro até a presente data. Além disso, o país foi considerado responsável por violações a direitos de liberdade e integridade pessoal, assim como ao direito à vida e ao reconhecimento da personalidade jurídica, reconhecidos nos arts. 3, 4, 5 e 7 da Convenção Americana de Direitos Humanos, além do disposto na Convenção Interamericana sobre desaparecimento forçado de pessoas. Ademais, a Corte concluiu que o Estado também é responsável pela violação dos direitos a garantias judicias, à proteção judicial e ao conhecimento da verdade, premissas igualmente dispostas nas Convenções supracitadas.
O parecer traça uma macroanálise acerca da gravidade do fato, mencionando que a prisão e o posterior desaparecimento do Sr. Tenorio Roca não constitui um acontecimento isolado e insere-se em um contexto generalizado de desaparecimentos forçados executados por forças de ordem da província de Huanta.
Passados mais de 30 anos desde o desaparecimento forçado, a veracidade dos fatos e o paradeiro do Sr. Tenorio Roca ainda não são conhecidos, ainda que com os esforços empreendidos por seus familiares.
Em virtude das violações, a Corte ordenou ao Estado a adoção de diversas medidas de reparação.
Saiba mais sobre os detalhes do caso pelo comunicado da Corte Interamericana de Direitos Humanos: http://goo.gl/lO9aV8
Autora: Thaís Kleinsorge Mendes
Fonte: CEDIN

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Justiça Global lança Guia de Proteção para Defensoras/es de Direitos Humanos

A Justiça Global, que desde a sua fundação em 1999 vem trabalhando com a temática da valorização e proteção das defensoras e defensores de direitos humanos, lança o Guia de Proteção para Defensoras e Defensores de Direitos Humanos em um momento crítico para esse campo no Brasil. 
O país vive um grave quadro de escalada de forças conservadoras e de um clima hostil para a atuação de defensoras e defensores de direitos humanos (DDHs). Apenas em 2016, são mais de 35 assassinados, e aumentam a cada dia os casos de criminalização de movimentos sociais e coletividades como trabalhadores rurais, indígenas, populações tradicionais, comunicadores, mulheres e LGBTs.
Isso não ocorre por acaso. A crise nas políticas de direitos humanos que se estende no país há alguns anos se aprofundou notadamente em 2015 e, mais ainda, nos últimos meses – culminando, dentre outros retrocessos, na extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos em maio deste ano. A Secretaria de Direitos Humanos, então, passou a ser parte de um Ministério da Justiça que declaradamente não prioriza essa pauta e, assim, vai se confirmando o desmonte da Política Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Estado brasileiro, trazendo consequências nefastas para a garantia da vida e integridade física de defensoras e defensores. 
Torna-se fundamental, mais do que nunca, a atuação dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil para contribuir com a proteção, combate e prevenção à violência contra aqueles que defendem direitos humanos. Nesse sentido, o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) – uma ampla articulação que incide na temática da proteção desde 2004 – tem se fortalecido ainda mais, e o Guia que lançamos apresenta um acúmulo de análises e avaliações realizadas nesse âmbito. O conteúdo da publicação, além disso, é resultado do trabalho da sociedade civil junto às coordenações Nacional e estaduais do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), da experiência adquirida pela Justiça Global em Oficinas de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos ao longo dos anos e do intercâmbio constante com organizações internacionais e DDHs em situação de ameaça ou criminalização, tentando trazer para as análises de riscos e estratégias de proteção uma aproximação ainda maior ao contexto brasileiro. 
Com o objetivo de atualizar e difundir essa experiência e conhecimento de forma a instrumentalizar as equipes técnicas dos programas de proteção estaduais, organizações e DDHs para enfrentar o quadro que vivemos, o Guia de Proteção para Defensoras e defensores de Direitos Humanos busca apresentar de modo prático e simples conceitos e ferramentas metodológicas sobre estratégias de proteção bem como análises críticas a respeito desse tema. Portanto, este não é um guia definitivo, e sim em constante processo de feitura e aprimoramento. 
Espera-se que a publicação seja capaz de fomentar oficinas de capacitação coletiva com movimentos sociais e organizações da sociedade civil bem como fortalecer esses atores para exigir a continuidade dos programas nos estados da federação. Mais do que a construção de protocolos e medidas de segurança, a Justiça Global almeja estimular e fortalecer o processo de luta política por proteção a defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Universidade da Austrália (UWA) oferece bolsas de mestrado

A University of Western Australia (UWA), localizada na cidade de Perth, na Austrália, está com inscrições abertas para o seu programa de bolsas de mestrado para estudantes internacionais. As candidaturas podem ser feitas até 31 de dezembro deste ano, pelo e-mail: admissions@uwa.edu.au.
Serão oferecidas bolsas para 39 cursos de mestrado, nas mais diversas áreas, incluindo arquitetura, jornalismo, relações internacionais, finanças, engenharia, direito, tecnologia da informação e muitos outros (confira a lista completa aqui). É preciso verificar qual curso está disponível para os cidadãos dos seguintes países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Paraguai, Uruguai, Venezuela, entre outros.   
É necessário comprovar fluência na língua inglesa e ter graduação completa para participar dos programas.
A oportunidade é voltada para alunos com desempenho acadêmico de excelência e o valor do benefício é calculado conforme a média de nota dos alunos em seu curso de graduação. Os valores das bolsas vão de 3 mil a 7 mil dólares australianos por ano, durante toda a duração do curso.
Para mais informações sobre a bolsa para mestrado na UWA, clique aqui
Fonte: Universia

IMPEACHMENT Dilma recorre à OEA para suspender impeachment no Senado

A presidente afastada Dilma Rousseff recorreu nesta quarta-feira à Organização dos Estados Americanos (OEA) em uma tentativa de suspender o processo de impeachment que avança no Senado, enquanto aguarda a marcação da data definitiva de seu julgamento no plenário.
A demanda foi apresentada na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pelo partido da presidente afastada, o PT, na qual explicou que a governante aparece entre os signatários em qualidade de "vítima" de um processo "ilegal".
Os deputados Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, ambos do PT, explicaram que a demanda foi preparada por juristas brasileiros e argentinos e exige uma medida cautelar desse órgão da OEA que "suspenda" o processo de impeachment, para o qual o Senado deu um novo e quase definitivo passo.
Na madrugada desta quarta, o plenário do Senado aprovou por 59 votos contra 21 o parecer que acusa Dilma de irregularidades fiscais, com o qual o processo se encaminha para sua conclusão.
A última fase será uma nova votação no Senado, na qual será finalmente decidido se Dilma será destituída. Para isso, será necessária uma maioria qualificada de dois terços da Casa.
A data para essa última sessão será marcada nos próximos dias pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá convocá-la para o fim deste mesmo mês.
Frente ao que parece a iminente destituição da presidente afastada, os deputados do PT afirmaram que vão "brigar em todas as esferas, sejam elas parlamentares, judiciais, na rua ou no exterior, para denunciar esse golpe, para o País ter a sua normalidade democrática restabelecida e que o direito da população seja respeitado".
A defesa de Dilma, assim como a demanda apresentada na OEA, negam as acusações contra a governante de irregularidades orçamentárias, de contratar créditos para o governo com os bancos públicos e de emitir decretos que alteraram as despesas sem autorização do Congresso, o que é proibido pela legislação brasileira.
No entanto, a defesa alega que em nenhum desses casos houve "participação direta" de Dilma, nem houve dolo, que seriam requisitos fundamentais para sustentar a acusação em sua opinião.
Desde junho, a CIDH tem como secretário-executivo o brasileiro Paulo Abrão, que ocupou o cargo de secretário nacional de Justiça durante a gestão de Dilma Rousseff.
Em maio, antes que Abrão assumisse esse cargo, a CIDH se pronunciou sobre a situação do Brasil e expressou "preocupação" por algumas medidas adotadas pelo presidente interino Michel Temer.
Apesar de não ter se referido diretamente ao processo, o comunicado da CIDH citou o Artigo 21 da Declaração Universal de Direitos Humanos, em uma aparente crítica ao possível impeachment.
Esse artigo diz que "a vontade do povo é a base da autoridade do poder público" e que a mesma "será expressada através de eleições autênticas que deverão ser celebradas periodicamente".
Muito mais enfático foi o secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro, que visitou Dilma duas vezes para manifestar sua plena solidariedade antes que ela fosse afastada.
Em uma dessas visitas, em abril, Almagro declarou que o processo de impeachment tem um tom "político" evidente, carece de "certezas" jurídicas e gera "dúvidas" entre os membros da OEA.
Nesse contexto, o diplomata uruguaio também ressaltou que "não existe uma acusação de caráter penal contra a presidente, mas que ela é acusada de má gestão das contas públicas", o que considera "insuficiente" para a destituição em um regime presidencialista.
Com a ação iniciada hoje na CIDH, Dilma se junta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também deu dimensão internacional a seus problemas com a Justiça brasileira, que o investiga por suspeitas de corrupção.

Há duas semanas, o ex-presidente levou esses assuntos ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, cuja sede fica em Genebra, e diante do qual denunciou a "perseguição política e judicial" que alega estar sofrendo no Brasil.

Fonte: Terra

Lava Jato é exemplo mundial de combate à corrupção, diz juiz americano

Juiz federal no Estado de Maryland, nos Estados Unidos, o americano Peter Messitte diz que o julgamento do mensalão e a Operação Lava Jato deixaram para trás os tempos em que escândalos de corrupção política terminavam em pizza no Brasil.
"Por muito tempo os brasileiros reclamaram da impunidade, e muitos achavam que era algo com que se devia conviver", ele diz em entrevista à BBC Brasil. "Isso mudou."
Segundo ele, a atuação do juiz Sérgio Moro e dos procuradores e policiais federais da Operação Lava Jato é citada em conferências globais como um exemplo do que pode ser feito contra a corrupção.
Ele afirma, porém, que há questionamentos legítimos sobre o uso de prisões preventivas no processo para conseguir acordos de delação premiada, quando réus confessam os crimes e aceitam colaborar com as investigações em troca de penas menores. Vários réus na Lava Jato foram presos antes de serem condenados e negociaram acordos de delação enquanto estavam na prisão.
Messitte criou laços com o Brasil na década de 1960, quando passou dois anos fazendo trabalho voluntário em São Paulo e aprendeu português. Desde então, visitou o país várias vezes e se tornou um dos maiores especialistas estrangeiros no Judiciário brasileiro.
Ele conheceu o juiz Sérgio Moro em julho, quando ambos participaram de um evento no Wilson Center, em Washington, e almoçaram na American University, onde Messitte dirige o Programa de Estudos Legais e Judiciais Brasil-EUA.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o juiz americano:
BBC Brasil - Em 2008, o senhor disse numa palestra sobre corrupção no Brasil que "talvez tenha ficado para trás o tempo em que tudo terminava em pizza". A previsão estava certa?
Peter Messitte - Obviamente as coisas mudaram, e o cenário hoje é bem diferente. A forma como os casos do mensalão e da Lava Jato emergiram representam avanços significativos na luta contra a corrupção política. Vocês estão encontrando malfeitores, e em muitos casos eles têm sido julgados e condenados.
É um caminho irreversível. O público está disposto a sair às ruas. Não é mais provável que as coisas acabem em pizza hoje ou no futuro. É uma mudança drástica.Há críticas a serem feitas, se a prisão preventiva pode ser uma ferramenta para estimular pessoas a fazer delação premiada. Muitos questionam isso do ponto de vista constitucional.Não tenho razões para acreditar que o juiz Moro esteja usando as prisões preventivas por outras razões além dessas. Houve casos em que ele ordenou a prisão preventiva e o Supremo reverteu a decisão.

BBC Brasil - Juízes e advogados nos EUA acompanham a Lava Jato?
Messitte - A maioria dos juízes e advogados entende que houve acusações de corrupção massiva no Brasil, que houve denúncias e confissões. Há muitas conferências e atividades anticorrupção acontecendo pelo mundo, com envolvimento do Banco Mundial e entidades como a Transparência International.
A atuação do juiz Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal na Lava Jato sempre aparece como um exemplo do que pode ser feito.
BBC Brasil - Como compara o caso do mensalão e a Lava Jato?
Messitte - Eles são um pouco diferentes pela natureza da corrupção. O mensalão eram pagamentos por um partido a políticos no Congresso. Na Lava Jato, há mais atores envolvidos.
Nos dois casos, vemos o começo do uso da delação premiada contra o crime organizado no Brasil. Houve algumas delações no mensalão e muitas na Lava Jato. É um desenvolvimento importante.
E a Lava Jato está sendo muito mais rápida. No mensalão, passaram-se muitos anos até o caso chegar ao Supremo. Na Lava Jato, muitas sentenças já saíram em dois anos.
A principal mudança foi a prisão preventiva. Muitos acusados na Lava Jato foram postos na prisão antes do julgamento. Isso realmente aumentou a pressão sobre eles para que fechassem acordos, cooperassem e depusessem contra outros para sair da prisão mais cedo. Isso não aconteceu tanto no mensalão.
BBC Brasil - Tem havido abuso no uso das prisões preventivas?
Messitte - Se a pessoa pode fugir, contribuir para a continuação das atividades criminosas ou destruir provas, há uma boa razão para prendê-la antes do julgamento. Esse deve ser o critério.
Ainda terá de ser resolvido até onde a prisão preventiva pode ser usada sem que haja exagero. Esse é um debate legítimo e que eventualmente chegará ao Supremo.
Se as pessoas vão fazer delações premiadas, poderiam fazê-las sem a pressão da prisão. A ideia é que as delações premiadas sejam voluntárias. Se há presunção de inocência, por que alguém pode ser preso antes da determinação final sobre sua culpa?
BBC Brasil - Nos EUA, é comum que réus sejam presos para estimulá-los a fazer uma delação?
Messitte - Não, não seria próprio pôr alguém na prisão com o único propósito de arrancar uma delação premiada. Nenhum juiz concordaria com isso. No sistema federal, onde sirvo, os critérios para a prisão preventiva são risco de fuga ou risco à comunidade.
BBC Brasil - Alguns no Brasil questionam a confiabilidade das delações premiadas, dizendo que réus podem mentir só para sair da prisão.
Messitte - Teoricamente, isso é possível em alguns casos. Mas para aprovar o acordo de delação - que é negociado pelo Ministério Público -, o juiz tem de verificar se ele é legal, regular e voluntário. Se determinar que a pessoa está mentindo ou que há algo irregular na forma como depôs, não deve aprová-lo. E não é suficiente admitir a culpa para entrar num acordo, é preciso colaborar.
BBC Brasil - Na última década o combate à corrupção no Brasil esteve muito enfocado em iniciativas legais, como a aprovação da Lei da Ficha Limpa. Em que medida a corrupção pode ser combatida por leis, e em que medida é uma questão cultural mais complexa e difícil de ser sanada?
Messitte - Por muito tempo os brasileiros reclamaram da impunidade, e muitos achavam que era algo com que se devia conviver. Isso mudou.
A ideia agora é: "não precisamos aceitar isso, não é a forma como deve ser". O Brasil virou a página. Houve uma mudança cultural, e foram as leis que fizeram isso, leis que definiram o que é a corrupção política.
As delações premiadas começaram no Brasil nos anos 1990 com os crimes hediondos. De repente, passaram a ser usadas contra o crime organizado, porque leis ampliaram a possibilidade de que fossem aplicadas nesses casos.
BBC Brasil - O juiz Sérgio Moro é uma figura controversa no Brasil, tratado como herói por uns e acusado por outros de abusar de seus poderes e agir politicamente. Que impressão teve dele ao encontrá-lo?
Messitte - Achei que ele é um cara muito direto e decente. Não detectei nele qualquer inclinação política. Há leis no Brasil contra corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão. Alguém tem de aplicá-las. Não esqueçamos o papel do Ministério Público e da Polícia Federal: eles podem não ter a mesma publicidade que o juiz Moro, mas merecem o mesmo crédito.
Às vezes, quando você aplica a lei e isso fere alguém, essa pessoa se diz vítima, afirma que sua decisão é política. Algumas pessoas te amam pelo que faz, e outros te odeiam.
Eu aprecio as posições dele. Imagine se, diante de depoimentos de informantes internos de que havia corrupção massiva [na Petrobras], um juiz dissesse que ninguém é culpado e não aceitasse nenhum acordo de delação?
Haverá erros no processo? Não tenho dúvida. Espero que eles sejam corrigidos na apelação. Mas menos de 5% das decisões de Moro foram revertidas até agora.
BBC Brasil - Não é arriscado e indesejável que um juiz se torne uma figura tão pública e atraia tanta atenção?
Messitte - É inevitável. Às vezes, acontece o inverso. Veja o que ocorreu com Giovanni Falcone e Paolo Borsellino na Itália. Estavam indo atrás do que consideravam a verdade e terminaram na situação mais infeliz [os dois juízes foram mortos após julgarem grandes casos contra a máfia italiana].
Deve-se dar crédito a Moro pela coragem. Esse cara inspirou um grande número de brasileiros, [mostrando] que há possibilidade de Justiça, de tratamento igualitário perante a lei. Qual a última vez que isso aconteceu no Brasil? Você não vê figuras assim com frequência.
Fonte: UOL

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Após Brexit, Brasil e Reino Unido firmam cooperação em inovação e tecnologia

Após a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o ministro de Comércio e Investimento do Reino Unido, Mark Price, e o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC), Marcos Pereira, assinaram, em 4 de agosto, um memorando para a cooperação em inovação. Reunidos em Brasília, os ministros ressaltaram que a iniciativa constitui um passo importante na relação bilateral.
Na reunião, os ministros comprometeram-se a lançar uma chamada para empresas brasileiras e britânicas sobre projetos de desenvolvimento de tecnologias para smart cities e ambientes urbanos sustentáveis, big data, smart grids, tecnologias de transporte multimodais e controle de tráfego, energia limpa, controle e gasto de água e infraestrutura blue-green.
A chamada será financiada pelo Newton Fund, fundo britânico para desenvolvimento científico, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Empresa Brasileira de Inovação Industrial (EMBRAPII).
Price ressaltou que esta constitui uma oportunidade para o estreitamento das relações bilaterais de comércio entre os dois países. Segundo o MDIC, em 2015 o Brasil importou do Reino Unido US$ 2,8 bilhões em produtos e exportou US$ 2,9 bilhões – o que representa 1,5% do total das vendas externas brasileiras. Entre os produtos exportados pelo Brasil ao Reino Unido estão ouro, minério de ferro, café, soja e carnes. Já entre os produtos importados estão medicamentos para medicina humana e veterinária, automóveis, inseticidas e compostos heterocíclicos.
Em 2015, o Reino Unido foi o 15º principal mercado para as exportações e o 14º para as importações brasileiras. Nesse sentido, Price e Pereira manifestaram interesse em aprofundar o diálogo bilateral, principalmente nas relações de comércio e investimento.
No mesmo dia, Pereira reuniu-se também com o presidente da Confederação Suíça, Johann Schneider-Ammann, e com o embaixador da Suíça no Brasil, André Regli. No encontro, os dois representantes reafirmaram o interesse no aprofundamento das relações entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, sigla em inglês), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. A exportação para a Suíça representa 1% da pauta de vendas externas brasileiras, sendo o petróleo o principal produto.
Os representantes suíços manifestaram ainda apoio ao sistema multilateral de comércio e a importância de colocar em prática os resultados das Conferências Ministeriais de Bali (2013) e de Nairobi (2015).
Reportagem Equipe Pontes
Fontes consultadas:

Fonte: ICSTD