segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Holanda abre inscrições para 50 bolsas de estudo exclusivas para brasileiros

Foram abertas no mês passado inscrições para o programa OTS (Orange Tulip Scholarship) que tem como intenção conceder cinquenta bolsas de estudos exclusivamente para estudantes brasileiros. As bolsas são para programas de graduação, de pós-graduação (Mestrado e MBA) e de curto degree - o que significa cursar no país apenas o último ano da graduação. As principais universidades da Holanda fazem parte desse programa.
Ao participar do programa, o aluno tem a oportunidade de receber uma bolsa integral ou parcial. O máximo do valor oferecido para cobrir os gastos com a faculdade em si (o tuition fee) é de 32.500 euros por ano de estudo. Há outros casos em que a bolsa pode cobrir demais custos do aluno, bem como o seguro e o seu visto. Ao todo, participam do programa quinze universidades e faculdades. Já as áreas de estudo que serão contempladas pelo programa englobam: Artes, Saúde, Ciências Biológicas, Humanas e Exatas.

Pré-requisitos        

A fim de poder participar do processo de seleção do programa de bolsas, o aluno precisa ter de antemão feito a sua inscrição em uma dessas universidades. Ou seja, para ser escolhido para receber as bolsas, o aluno precisa ou já ter sido aceito pela instituição de ensino em questão ou estar no processo de avaliação para o mesmo. 

Inscrição e processo seletivo          

Todos os alunos interessados em se candidatar a uma bolsa têm até o dia 1º de abril do ano de 2016 para fazê-lo. Candidatos devem acessar o site da Nuffic Neso Brazil (trata-se de um canal específico para brasileiros pesquisarem tudo o que precisam para estudar no ensino superior holandês). Acompanhe no site qual é a documentação necessária para enviar juntob com o formulário preenchido. Dependendo, cada universidade pedirá alguma coisa distinta, portanto é preciso pesquisar bem e ficar atento. 
O resultado dos alunos escolhidos sai no dia 16 de maio e pode ser verificado no próprio site de inscrição.
Fonte: Blastingnews

8 mestrados de graça (ou quase) no exterior na área de humanas

Se você é de humanas e já pesquisou mestrados no exterior, deve ter notado a diferença gritante que existe entre a oferta de cursos gratuitos e bolsas de estudo na sua área em comparação com profissões mais técnicas, principalmente ligadas a exatas. E não é só lá fora. Aqui no Brasil, demorou também até que o governo lançasse o Cultura sem Fronteiras, inspirado no sucesso do Ciência Sem Fronteiras (CsF).
Foi pensando nisso que o Estudar Fora fez uma lista com oito mestrados de graça (ou quase!) no exterior para quem é da área de humanas:
1. Mestrado em Gestão Intercultural e Comunicação – Finlândia
O programa de dois anos da Universidade de Vaasa recebe 20 estudantes estrangeiros por ano. O curso ensina como as identidades culturais são formadas e como elas estruturam a sociedade atualmente. O mestrando aprende a gerenciar a comunicação intercultural e multilingue, inclusive do ponto de vista ético e filisófico.  O objetivo é capacitar profissionais para serem especialistas em comunicação intercultural, atuando em organizações públicas ou privadas, em cargos como coordenador de projetos internacionais, gerente de recursos humanos, especialista em relações públicas, educador ou pesquisador. As inscrições abrem em janeiro  de 2016. Não há anuidade, mas o estudante tem que pagar uma taxa de 142 euros por ano para a União dos Estudantes. Saiba mais
2. Mestrado em Educação Multicultural e Internacional – Noruega
O programa da Universidade de Ciências Aplicadas de Oslo e Akershus se apresenta como uma alternativa aos mestrados convencionais na área de ciências sociais e pedagogia. O curso é interdisciplinar e indicado a quem quer se aprofundar no tema educação multicultural, tendo como base o sistema de ensino da Noruega. O programa tem duração de dois anos e aceita professores (inclusive de pré-escola) e bacharéis em cursos na área de ciências sociais. Não há anuidade, apenas uma taxa semestral de 730 coroas norueguesas (equivalente a 350 reais). As incrições para estudantes internacionais vão até 15 de dezembro. Saiba mais
3. Mestrado em Estudos Culturais e de Negócios Internacionais – Alemanha
Dar um rumo internacional à carreira profissional, ao mesmo tempo em que aprende uma nova cultura e ganha fluência em um novo idioma. Essa é a proposta do mestrado de dois anos da Universidade de Passau. Se você ama aprender novos idiomas, este curso pode ser para você. O mestrado é em alemão, mas no quarto módulo você terá que escolher dois dos seguintes idiomas – inglês, francês, espanhol, italiano, russo, português, tcheco, polonês, chinês, indonésio, vietnamita – dependendo da cultura que você deseja se aprofundar. O mestrando aprende como desenvolver competências-chave para se tornar um bom gestor de projetos e um bom solucionador de problemas. As oportunidades de atuação são muitas: vendas, marketing, relacionamento com clientes, relações públicas, recursos humanos, desenvolvimento organizacional. As inscrições abrem duas vezes ao ano: de janeiro a abril e de julho a outubro. O curso é gratuito. Saiba mais
4. Mestrado Interdisciplinar em Estudos Interamericanos – Alemanha
Universidade de Bielefeld, na Alemanha, tem um mestrado inteirinho voltado para o Novo Mundo. O objetivo do curso é, justamente, entender as singularidades do nosso continente: da América Latina à Anglo-Saxônica. O programa de dois anos tem uma abordagem interdisciplinar, com matérias como sociologia, literatura, comunicação, história e ciências políticas. O diploma capacita profissionais para trabalhar em diversas áreas da comunicação – como relações públicas, relações institucionais e jornalismo. Inglês e espanhol são obrigatórios. Alemão não é exigido, mas é uma vantagem, já que estudantes terão que aprendê-lo e fazer testes de proficiência ao longo do curso. O mestrado é gratuito, sendo cobrada uma taxa de 235 euros por semestre. As inscrições vão até 15 de janeiro para o curso que começa no verão (no hemisfério norte) e 15 de julho para o que começa no inverno. Saiba mais
5. Mestrado em Direitos Humanos e Multiculturalismo – Noruega
Esse mestrado da Universidade de Buskerud e Vestfold é único na Europa, por abordar Direitos Humanos e Multiculturalismo ao mesmo tempo. O curso, com duração de dois anos, é oferecido pela Faculdade de Ciências Humanas e Educação, na cidade de Drammen. Os direitos humanos protegem a diversidade multicultural? Oferecem base legal suficiente para prevenir práticas consideradas inaceitáveis por grupos minoritários? Essas são algumas questões que o mestrando irá analisar, se debruçando sobre o conceito de dignidade humana e como aplicá-lo a determinadas religiões e ideologias, do ponto de vista político, ético e jurídico. Debate este que se torna extremamente atual, no momento em que a Europa vive a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. As inscrições vão até 15 de janeiro. é gratuito.Saiba mais
6. Mestrado em Jornalismo Científico – França
Voilà! Essa pode ser a sua chance de estudar na França. A Universidade de Lilleoferece um mestrado de dois anos para jornalistas. O objetivo é capacitar profissionais para trabalhar com dados. Em sala, os estudantes discutem como abordar informações técnicas e trazê-las para o nosso cotidiano sob uma nova perspectiva. Ou seja: traduzir a linguagem técnica para o grande público. O curso é em francês. A mensalidade é bastante inferior a cobrado por outros cursos de pós-graduação: são 256 euros por ano, mais 215 euros de seguro social. As incrições abrem em junho. Saiba mais
7. Mestrado em Aprendizagem e Comunicação em Contextos Multilíngues e Multiculturais – Luxemburgo
O nome é longo, mas o objetivo do curso é bastante simples: estudar como a diversidade cultural e linguística influencia o ensino e a comunicação. Com duração de dois anos, o programa da Universidade de Luxemburgo é trilíngue, com aulas em inglês, francês e alemão. Você só precisa falar dois dos três idiomas para ser aceito, mas é recomendável conhecimentos básicos no terceiro (a própria universidade oferece esses cursos). O mestrado é interdisciplinar e abre possilidades de carreira nas áreas de educação, turismo e jornalismo. Também pode ser usado como curso preparatório para aqueles que buscam um PhD em disciplinas como antropologia, sociologia ou sociolinguística. O mestrado custa apenas 200 euros por semestre. Saiba mais
8. Mestrado em Semiótica – Estônia
A Universidade de Tartu, na Estônia, abriga um conceituado centro de estudos em semiótica. O curso, com duração de dois anos, oferece uma base teórica para aplicar conceitos da semiótica a várias disciplinas. São três módulos centrais: semiótica cultural, biosemiótica e sóciossemiótica. O curso é em inglês. O mestrado é recomendado para profissionais de diversas áreas que fazem uso da semiótica, como publicitários, jornalistas, tradutores e designers. As inscrições abrem em abril. Não há anuidade. Saiba mais
Fonte: Estudar fora

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Corte internacional da OEA ordena Brasil a sanar violações no maior presídio do país

Complexo do Curado (Aníbal Bruno), em Pernambuco. Foto: EBC
Complexo do Curado (Aníbal Bruno), em Pernambuco. Foto: EBC
A Corte Interamericana de Direitos Humanos divulgou na noite de ontem, dia 14, Resolução ordenando o Estado brasileiro a implementar novas medidas urgentes para garantir a vida e integridade dos presos, visitantes e funcionários da maior unidade prisional do país, o Complexo do Curado (antigo Aníbal Bruno), no Recife (PE).  Entre os problemas a serem solucionados no presídio—que hoje contém mais de 7.000 pessoas em espaço para menos de 1.900—destacam-se a tortura, a corrupção, a superlotação e a falta de proteção a presos LGBT e outros grupos que sofrem discriminação. A Resolução é fruto de uma audiência no dia 28 de setembro em que o tribunal exigiu explicações do Estado sobre a a crescente onda de violência no Complexo do Curado.  O processo contra o Brasil foi iniciado em 2011 por uma coalizão formada pela Pastoral Carcerária, o Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões (SEMPRI), aJustiça Global e a Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard.
“A Resolução da Corte impõe o rigor necessário ao Estado brasileiro, que insiste em manter uma política prisional deteriorada, sucateada, discriminatória, humanamente improdutiva e insegura”, disse Wilma Melo, coordenadora de direitos humanos do SEMPRI.
A decisão do tribunal é obrigatória, já que o Estado brasileiro aceitou a competência da Corte em 1998. Para a advogada Natália Damazio, da Justiça Global, ao ser novamente citado internacionalmente pela situação do Complexo, o Brasil se vê pressionado a agir. “Há um discurso do Estado de que a situação no Curado vem melhorando desde a primeira Resolução da Corte, em 2014. Essa nova ordem mostra o tamanho da omissão, obrigando o Brasil não apenas a rever seu discurso público sobre o caso, mas também suas ações para interromper as graves violações de direitos no local”, afirmou a advogada.
Declarando a “completa falta de eficácia” do Estado na coibição de ilícitos no Complexo, a Corte observa na Resolução que “continuam sendo apreendidos centenas de armas, drogas de vários tipos, centenas de litros de bebida alcoólica, centenas de celulares, entre outros”, reparando ainda denúncias de que “se venderia uma faca por R$300,00 (trezentos reais) e uma pistola por R$10.000,00 (dez mil reais).” Segundo a ordem, “a Corte considera imperativo que o Estado investigue de maneira diligente as denúncias de corrupção e comércio de armas por parte de funcionários e internos e que informe o Tribunal a esse respeito”.
“É um pronunciamento histórico”, disse o advogado Fernando Ribeiro Delgado da Clínica de Harvard.  “Um tribunal internacional de direitos humanos ordenando a investigação de corrupção é algo inovador no direito, uma distinção infelizmente dúbia para o Brasil”.
Entre as medidas determinadas pela Corte para o país, é possível também destacar as seguintes: adoção de uma política preventiva sobre HIV, tuberculose e outras doenças transmissíveis; fim da função dos ditos “chaveiros”, que são presos que controlam os pavilhões e possuem chaves das celas no presídio; fim dos castigos extra-oficiais e espaços indignos de detenção; adequação do número insuficiente de agentes de segurança; e fim da proibição da entrada da coalizão com câmeras no Complexo para monitoramento da implementação da ordem da Corte.
Foram numerosas as provas entregues à Corte para fundamentar a Resolução, e elas levantam questionamentos sérios.  Por exemplo, a coalizão relatou que “[e]m 18 de junho de 2015 … as enfermarias não tinham medicamentos básicos (soro e analgésico) e há falta de luvas”, sendo esse apenas um de múltiplos exemplos parecidos.  Segundo oPortal da Transparência, o Governo Federal repassou para o Governo do Estado de Pernambuco nos meses de fevereiro, maio e julho de 2015 a quantia de R$7.220.783,14, especificamente para serem investidos na área da saúde de pessoas privadas de liberdade no estado.
Várias denúncias também foram ilustradas com um vídeo exibido aos juízes durante a audiência de 28 de setembro.  Outras denúncias levadas em consideração pela Corte incluem:
·       “[e]m uma visita realizada em 8 de outubro de 2014, alguns internos relataram a existência de um sistema ilegítimo de aluguel de espaços (barracos) nos Pavilhões para que eles possam dormir”;
·       “[e]m 24 de fevereiro de 2015…foi reportado um interno que dormia amarrado às barras da janela da cela disciplinar, devido à falta de espaço na cela”;
·       “[o]s funcionários usam coletes à prova de balas ‘vencidos’”;
·       “o estupro coletivo de um detento LGBT na cela de castigo, o qual seria produto de uma sanção aplicada por um ‘chaveiro’; O detento em questão teria sido contagiado com HIV como consequência desse estupro”;
·       “[o] interno Vilmário de Souza havia denunciado ameaças de morte contra sua pessoa. Os representantes comunicaram a situação e solicitaram atenção urgente à direção do Complexo, mas o Estado não adotou medidas para protegê-lo. Em agosto de 2015, esse interno foi assassinado dentro do Complexo do Curado”;
·       “[o] Estado autorizou o uso de armas letais contra presos em caso de tentativas de fuga”;
·       “[e]m 27 de setembro de 2015, uma pessoa que vive nos arredores do Complexo Penitenciário faleceu por um disparo de arma de fogo proveniente de Curado”; e
·       “os representantes documentaram dezenas de incidentes de violência, entre eles motins, brigas entre internos, tentativas de homicídio, tentativas de fuga, espancamentos e atos de tortura”.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos – outro órgão que, assim como a Corte, é ligado a Organização dos Estados Americanos (OEA) – começou a monitorar o Complexo Aníbal Bruno em 2011. Durante quatro anos, a coalizão de organizações da sociedade civil catalogou centenas de violações à dignidade humana dos presos, funcionários e visitantes do Complexo.  A falência do Complexo é um reflexo não somente da situação calamitosa do sistema prisional pernambucano, que possui uma das piores e crescentes taxas de encarceramento no Brasil, mas também de uma realidade prisional nacional que historicamente encarcera violando direitos. O caso do Complexo gerou também um grande acervo com mais de 700 páginas de provas coletadas ao longo do litígio: http://arquivoanibal.weebly.com/
A decisão da Corte Interamericana pode ser vista em anexo (em português) ou no site do tribunal (em espanhol).

sábado, 12 de setembro de 2015

Refugiados na Europa: a crise em mapas e gráficos

As solicitações de asilo para a Europa se multiplicaram neste ano – só a Alemanha e a Hungria, por exemplo, já receberam mais pedidos nos últimos meses do que em todo o ano passado.
No total, 438 mil refugiados pediram asilo em países do bloco até o fim de julho deste ano – comparados com os 571 mil para 2014.
De acordo com números divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a Alemanha continua sendo o destino mais procurado por imigrantes que chegam à Europa. Foi o país que recebeu o maior número de pedidos de asilo, com mais de 188 mil até o fim de julho deste ano – 15.416 a mais do que o ano passado todo.
Mas a Hungria já ocupa o segundo lugar, com mais e mais imigrantes recorrendo ao país para entrar na Europa Ocidental pelo meio terrestre – a estação de trem de Budapeste chegou a fechar no início da semana, com milhares de imigrantes acampando do lado de fora à espera de um trem para o oeste do continente europeu.
Na noite desta sexta-feira, a Hungria afirmou que mandaria ônibus para transportar os mais de mil imigrantes que haviam iniciado uma marcha rumo à Áustria.
E, apesar de a Alemanha ter o maior número de solicitações de asilo, a Suécia fica no topo dessa lista quando os números são considerados proporcionalmente à população – são oito pedidos de asilo a cada mil habitantes suecos.
De onde vêm os imigrantes?
O conflito na Síria continua sendo o maior motivador dessa onda migratória. Mas a violência constante no Afeganistão e na Eritreia, assim como a pobreza no Kosovo também têm levado pessoas dessas regiões a procurar asilo em outros países.
A União Europeia deve ter uma reunião de emergência em Bruxelas no fim deste mês – o bloco tem sido criticado pela inércia diante da crise da imigração. Uma proposta para cotas de distribuição de refugiados foi rejeitada e a tensão tem crescido por causa do sobrecarregamento de alguns países que recebem um grande número de refugiados.
O Reino Unido, por exemplo, rejeitou o sistema de cota e, de acordo com números oficiais, aceitou 216 refugiados sírios desde janeiro de 2014 no esquema de "Realocação de Pessoas Vulneráveis" – foram cerca de 4.300 sírios aceitos nos últimos quatro ano, segundo o governo britânico.
A Hungria construiu um muro de 175km ao longo de toda a fronteira com a Sérvia para tentar diminuir o fluxo de pessoas buscando asilo no norte da Europa.
Apesar do grande número de pessoas pedindo asilo em outros países, a quantidade de pessoas que são acolhidas por eles é bem menor. Em 2014, países da União Europeia ofereceram asilo a 184.665 refugiados.
No mesmo ano, mais de 570 mil imigrantes entraram com pedido de asilo nesses países – é importante pontuar, porém, que o processo para solicitar asilo pode demorar, então alguns dos refugiados contemplados no ano passado podem ter entrado com o pedido muitos anos antes.
Como imigrantes chegam à Europa?
A Organização Internacional de Migração (IOM, na sigla em inglês) estima que mais de 350 mil imigrantes tenham sido registrados nas fronteiras de países europeus entre janeiro e agosto de 2015, comparados com os 280 mil do ano todo de 2015. Esses números podem ser ainda maiores.
A força externa de fronteira europeia, Frontex, monitora as diferentes rotas de imigração e contabiliza as pessoas que chegam às fronteiras do continente.
A rota do Mediterrâneo oriental superou a rota central como a mais comum usada neste ano – sendo que os sírios são, de longe, o maior grupo de imigrantes.
Dos mais de 350 mil imigrantes registrados neste ano nas fronteiras europeias, quase 235 mil chegaram na Grécia e cerca de 115 mil chegaram na Itália. Outros 2.100 desembarcaram na Espanha.
A maioria dos que vão para a Grécia tentam fazer isso por uma viagem mais curta da Turquia para as ilhas de Kos, Chios, Lesbos e Samos – essas rotas costumam ser feitas em condições precárias, em barcos pequenos ou botes de madeira.
Mortes
A viagem da Líbia para a Itália é mais longa e perigosa. De acordo com a IOM, mais de 2,5 mil imigrantes morreram tentando fazer essa travessia neste ano – e, no total, 2.643 pessoas morreram no Mediterrâneo em 2015.
Os meses de verão no hemisfério Norte são, em geral, os com o maior número de vítimais fatais, já que é o período mais comum para imigrantes tentarem chegar à Europa.
O pior mês do ano em termos de números de mortos, porém, foi abril, quando um barco carregando 800 imigrantes virou no mar da Líbia. O fato de ele transportar muito mais pessoas do que a capacidade permitia é uma das razões para a tragédia.

Fonte: BBC

Países do mercosul farão compra conjunta de remédios

Presidentes posam para foto antes de reunião do Mercosul
Presidentes posam para foto antes de reunião do Mercosul:
"A centralização de compras no território brasileiro trouxe economia
 de até 70% em alguns produtos"
O Brasil vai passar a fazer compra conjunta de medicamentos com países do Mercosul. A estratégia, formalizada em um acordo assinado nesta sexta-feira, 11, em Montevidéu, no Uruguai, tem como objetivo reduzir o preço deremédios de alto custo que são usados em países do bloco.
A primeira negociação começa no próximo mês, com quatro medicamentos: três indicados no tratamento de hepatite C e um para pacientes com HIV. A expectativa é de que a aquisição seja feita já em dezembro.
"A centralização de compras no território brasileiro trouxe economia de até 70% em alguns produtos. Esperamos que, com a ampliação dessa estratégia, os benefícios sejam alcançados também pelos demais países do bloco", afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Adriano Massuda.

Desde 2010, a compra de medicamentos classificados como estratégicos passou a ser feita pelo governo federal. Até então, muitos produtos eram adquiridos por governos estaduais ou municipais, separadamente.
A mudança trouxe uma redução do preço final. "Quando compramos uma quantidade maior, o poder de negociação é reforçado. E os preços caem."
A ideia é estender para medicamentos de alto custo, como os usados para pacientes com câncer, aids e doenças raras, um mecanismo de compra já usado com sucesso para a aquisição de vacinas.
Atualmente, parte dos imunizantes é adquirida por meio do Fundo Rotatório, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
No caso dos medicamentos, a Opas também ficaria encarregada da compra, mas por meio de outro braço da organização, o Fundo Estratégico. "Países integrantes repassam os recursos para a Opas, que se encarrega da compra", contou o secretário.
Massuda acredita que o novo formato não deva provocar resistência de indústrias farmacêuticas. "Há uma perspectiva para elas de ampliação de mercado", avaliou.
"E, para países envolvidos, uma redução de preços, algo que acaba ampliando o acesso da população aos produtos", completou. Os quantitativos serão definidos governo a governo.
A estratégia deverá ser estendida em 2016 para outros medicamentos. O acordo assinado nesta sexta por Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Venezuela, Chile, Equador e Suriname, prevê também a adoção de um banco de preços, com detalhes sobre as compras de medicamentos feitas pelos Ministérios da Saúde da América do Sul.
Fonte: Exame

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Aos 30 anos, o norte-americano Christopher Catrambone já era dono de uma conta bancária recheada com mais de US$ 10 milhões. Dono de uma empresa que trabalha com inteligência e seguros em áreas de conflito, ele passeava com a esposa no belíssimo mar Mediterrâneo, nos entornos na ilha de Malta, quando sua vida e a de milhares de estranhos mudou.

Na água, boiava um colete salva-vidas e ao perguntar ao motorista do iate, um trabalhador local, o que era aquilo, deparou-se com uma questão que, até então, ignorava: as milhares de pessoas que saem da África e do Oriente Médio todos os anos rumo à Europa e padecem no mar. O passeio no iate continuou, mas Catrambone já não era o mesmo. Chocado ao ser apresentado a essa realidade, ele foi atrás do assunto e decidiu usar metade de suas riquezas para criar a MOAS (Migrant Offshore Aid Station), uma organização não-governamental que oferece resgate e cuidados a esses refugiados, evitando que se afoguem e morram.

O primeiro passo foi comprar um antigo navio da marinha norte-americana, barcos infláveis e drones. Com o auxílio de uma tripulação de voluntários, especialistas em segurança e médicos, eles conseguiram salvar cerca de 3 mil pessoas só nos primeiros meses de operação, em 2014. “Se você é contra salvar vidas no mar, então você é um intolerante e você não pertence à nossa comunidade. Se você permite que o seu vizinho morra no seu quintal, então você é responsável por sua morte“, afirmou Catrambone ao Daily Mail.

© Moas 2015 - Image Peter Mercieca
O empresário, sua esposa e a filha passam o verão e boa parte da primavera ajudando nas operações de resgate. Em cada missão, o navio da MOAS é informado sobre a presença de umaembarcação clandestina em perigo. Usando os drones, eles verificam a situação e prosseguem o resgate. Os barcos infláveis, com garrafas de água e coletes salva vidas, são enviados aos refugiados, que então são abrigados no navio. Todos os passageiros são examinados por voluntários do Médicos Sem Fronteiras. Feito isso, os imigrantes são entregues para autoridades governamentais, que autorizam sua entrada no país.
Diferente do que algumas pessoas pensam, o MOAS não tem a intenção de funcionar como um ferry até a Europa, mas de salvar vidas desesperadas, que fogem da guerra e de situações extremamente opressoras. “E você quer saber, se um dia eu ficar pobre e for parar na rua, que seja. Mas nós fizemos isso. E eu tenho orgulho disso. Não me arrependo de nada“, finalizou o empresário.
Catrambone poderia estar curtindo um champagne em seu iate e aproveitando o sol de Malta, tranquilo, mas decidiu se jogar de cabeça em uma situação complicadíssima que é a questão da imigração na Europa. É de arrepiar! Mas apesar de sua fortuna, as operações de resgate custam caro e a MOAS está aberta a doações para dar continuidade a esse trabalho incrível. Saiba mais aqui.

© Moas 2015 - Image Peter Mercieca
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© Moas 2015 - Image Peter Mercieca
© Moas 2015 - Image Peter Mercieca
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MOAS rescuies 361 migrants after spotting them with the Schielble camera copter
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MOAS rescuies 361 migrants after spotting them with the Schielble camera copter
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Todas as fotos © MOAS

Fonte: Hypeness






Por filho americano, brasileiras viajam a Miami para dar à luz

Bianka Zad e seu filho | Foto: Arquivo pessoal
Paulistana quis que seu primeiro filho tivesse a cidadania americana e melhores oportunidades no futuro

Quando voltou de sua última viagem a Miami, a empresária paulistana Bianka Zad trouxe mais do que malas cheias. Ela carregava no colo um bebê recém-nascido.
Ao dar à luz na Flórida, Zad quis que seu primeiro filho tivesse a cidadania americana e melhores oportunidades no futuro.
"Mesmo antes de saber que estava grávida, eu já queria fazer o parto lá", conta Zad, de 37 anos.
A Constituição americana garante a cidadania automática a todas as crianças nascidas no país, inclusive se forem filhas de turistas ou imigrantes ilegais.
A empresária viajou a Miami com um visto de turista na trigésima segunda semana de gravidez e se hospedou no apartamento que comprou há quatro anos para passar férias.
Zad deu à luz em 22 de maio e voltou ao Brasil dois meses depois. Seu filho, Enrico, desembarcou em São Paulo com dois passaportes - o brasileiro e o americano.
Para tirar o americano, ela teve de registrar o nascimento num cartório e levar o filho a um centro do governo. O processo todo, diz Zad, levou 20 minutos, e o passaporte chegou pelo correio em 20 dias.
Ela afirma que não sofreu qualquer constrangimento nem teve de prestar qualquer esclarecimento às autoridades.
Conseguir o documento brasileiro exigiu que ela fosse ao consulado e comprovasse sua nacionalidade.

'Ser mamãe em Miami'

Para tirar os planos do papel, a empresária contratou os serviços de uma agência especializada em partos de brasileiras na cidade, a "Ser mamãe em Miami".
O médico brasileiro Wladimir Lorentz, 46 anos, diz que resolveu fundar a agência com um sócio após descobrir serviços semelhantes para turistas russas.
Pediatra brasileiro Wladimir Lorentz (Foto: Arquivo pessoal)
Médico criou empresa especializada em fazer partos de brasileiras nos Estados Unidos

Lorentz, que trabalha como pediatra em Miami há 7 anos, começou a atender turistas brasileiras em setembro e, há duas semanas, lançou um novo site com os serviços.

Desde então, ele diz ter sido procurado por quatro brasileiras interessadas.
Não há leis que proíbam grávidas de viajar de avião, embora as companhias aéreas costumem exigir atestados médicos de passageiras em estado avançado de gravidez.
Lorentz recomenda que elas consultem um obstetra antes de embarcar e façam a viagem antes de completar sete meses de gestação.
Sua agência oferece três pacotes de partos. O natural sai por US$ 9.840 (cerca de R$ 37.800); a cesárea, US$ 11.390 (R$ 43.700); e o múltiplo (gêmeos ou mais), US$ 14.730 (R$ 56.600).
Todos os planos incluem atendimento pré e pós-natal, até três dias de "internação hospitalar em suíte VIP" e exames básicos para a mãe e o bebê.
"Uma grávida em São Paulo que comece o trabalho de parto na hora do rush corre o risco de dar à luz no meio do trânsito ou acabar num hospital ruim", ele diz à BBC Brasil. "Aqui não tem esse perigo".
O diferencial de sua agência, diz Lorentz, é o atendimento em português. Seu sócio, o obstetra Ernesto Cárdenas, nasceu na Colômbia e também compreende a língua.
Para contratar os serviços, o médico diz que a grávida pode viajar com um visto de turista, já que o documento também vale para quem recebe cuidados médicos nos Estados Unidos.
Ele diz que seu principal desafio é convencer os brasileiros de que o serviço é legal.

'Bebês âncoras'

Ter um filho americano não dá aos pais o direito de morar no país, explica a advogada brasileira Juliana Pechincha, que atende em Nova York. Ela diz que os filhos só podem pleitear que os pais se tornem residentes ao completar 21 anos.
Mesmo assim, milhares de mães estrangeiras têm viajado aos Estados Unidos para dar à luz no país. A prática gerou uma polêmica na campanha à eleição presidencial de 2016.
O pré-candidato republicano Donald Trump tem defendido acabar com a concessão automática de cidadania a filhos de estrangeiros.
Ao comentar a posição de Trump, o também pré-candidato republicano Jeb Bush defendeu a regra atual, mas provocou a ira de muitos imigrantes ao se referir às crianças como "bebês âncoras".
Considerada pejorativa, a expressão se refere à crença de que ter um filho nos Estados Unidos torna a deportação dos pais mais difícil.
Bush afirmou que se referia a "casos específicos de fraudes" - cometidas, segundo ele, principalmente por asiáticos - que viajavam aos Estados Unidos para ter filhos e "tirar proveito de um conceito nobre".
O pediatra brasileiro Wladimir Lorentz diz que a crítica não se aplica a seus serviços.
"Seguimos rigorosamente a legislação e todos os nossos profissionais são certificados. Nossa atividade gera receitas e empregos para o país", afirma.

Turismo do enxoval

O obstetra Ernesto Cárdenas e a brasileira Irene Kim Foto: Arquivo pessoal
Irene Kim foi a Miami para comprar enxoval e acabou dando à luz nos Estados Unidos
Hoje no nono mês de gravidez, a advogada e contadora paulistana Irene Kim, de 33 anos, chegou a Miami em julho para fazer o enxoval do seu primeiro filho.
Durante as compras, Kim diz que se sentiu mal e soube que corria o risco de ter uma coagulação se viajasse de avião antes do nascimento.
Ela então decidiu fazer o parto na cidade e, ao descobrir que o filho ganharia a cidadania americana, passou a considerar migrar legalmente para os Estados Unidos nos próximos anos.
"Aqui a educação é gratuita, enquanto no Brasil uma educação de qualidade consome grande parte da renda familiar", justifica.
Outra razão para se mudar, diz Kim, é a insegurança no país.
A empresária Bianka Zad também se prepara para se migrar legalmente para os Estados Unidos com o marido e o filho Enrico, nascido em Miami.
Ela diz ter colocado à venda terrenos e a casa em que a família mora em Alphaville, condomínio de luxo em São Paulo, para se mudar em 2018.
"O Brasil é um país que não tem a ordem que vemos aqui na América", ela diz.
"Quando você vai e conhece a América, você se apaixona".
Fonte