segunda-feira, 13 de abril de 2015

O dilema do conteúdo local

Por Welber Barral
Dois eventos recentes tiveram como temática central as exigências nacionais de conteúdo local. Chama a atenção as abordagens divergentes desses eventos. No primeiro deles, no CSIS em Washington, repetiram-se muitas das críticas ao recurso a esses mecanismo. No segundo, o Global Local Content Summit, a se realizar em Londres, pretende-se analisar as experiências comparadas e indicar como tornar mais efetivas as exigências existentes.No caso brasileiro, as exigências de conteúdo local existem pelo menos desde a década de 1970, mas foram visivelmente reforçadas no Governo Dilma, para quem o tema é um mantra. A experiência inicial, no setor de petróleo e gás, se expandiu para outros setores e regimes tributários. No final do ano passao, a UE questionou vários dos programas brasileiros na OMC, no que promete ser um caso paradigmático não apenas sobre conteúdo local, mas também sobre o espaço jurídico para futuras políticas industriais.Ainda sobre o Brasil, e além do contencioso mencionado, faltam análises rigorosas quanto à efetividade de programas no passado. Há reiteradas reclamações dos setores afetados, de que as exigências de conteúdo local, quando obrigatórias, são de difícil cumprimento, provocam atrasos e geram custos adicionais para executar projetos no Brasil. A falta de avaliações a posteriori, seja pelo governo ou pelos órgãos de controle, impede que aprendamos com os próprios erros.
Apesar da crítica acadêmica, a verdade é que não apenas as regras de conteúdo local são uma constante no comércio internacional, mas também que o número dessas exigências aumentou, pelo menos desde a crise econômica de 2008.
Não é muito difícil especular que a razão para novas regras de conteúdo local estão relacionadas com a tentativa de proteger os empregos nacionais em tempos de crise. 
Neste sentido, a explicação não é muito diferente da imposição de outras medidas protecionistas. Mas pode-se compreender que, pelo menos para alguns países da América Latina, a invocação a conteúdo local serviu também como tentativa de apropriação de parte da elevação do preço de commodities na última década. Ou seja, para muitos líderes latino-americanos, exigir conteúdo local foi uma reação ao fato de que suas contas nacionais dependem mais e mais do preço internacional de commodities.
Interessante, neste sentido, que os países que mais se utilizaram recentemente de regras de conteúdo local são países relativamente pouco dependentes do comércio internacional. O Brasil, segundo o mesmo estudo, tem sido o duvidoso campeão na implementação dessas medidas, segundo o Peterson Institute (2013).
Da mesma forma que nos eventos citados, o debate atual sobre conteúdo local materializa visões antagônicas. Para aqueles que preferem as premissas do livre mercado, as regras nacionais de conteúdo local são inconvenientes desnecessários, ossos de megatério das políticas de substituição de importações que grassaram no imaginário cepalino. Do outro lado, os seus defensores brandem a experiência dos Tigres Asiáticos, sobretudo Coreia, que utilizaram conteúdo local como garantia para manter a agregação de valor local.
Lendo os argumentos de lado a lado, parece que a virtude insiste em continuar no meio termo. Em primeiro lugar, porque o sucesso de uma política de conteúdo local depende de várias condições, que podem ou não se refletir em cada experiência nacional. Além do que, esse sucesso depende também do setor ou da modalidade de exigência que é imposta ao setor.
Antes de verificar as condições nacionais, muitas vezes negligenciadas ao se impor a exigência de conteúdo local, podemos fazer uma classificação (apenas didática) de suas modalidades. Em geral, a exigência pode ser imposta em contratos com o poder público ou como exigência para um benefício fiscal. No primeiro caso, o Estado se utiliza de suas compras para promover a indústria local ou para exigir parceiros nacionais obrigatórios. Não há novidade nesta modalidade de exigência: os EUA criaram o Buy American Act em 1933, e vêem a reforçá-lo nos últimos anos. Nesta modalidade, regras tradicionais são exigidas sobretudo no setor de defesa, para os quaais uma contrapartida (offset) é normalmente exigida, inclusive pelo valor estratégico dos produtos comprados.
Se as exigências de conteúdo local em compras públicas são relativamente tradicionais, o mesmo não se pode dizer da outra modalidade, pela qual se exigem insumos ou partes locais para gozar de um benefício fiscal ou para ter acesso a subsídios públicos. Tais exigências podem constar de normas acessíveis, como é o casso de regras de origem em acordos regionais de comércio. Mas na maior parte das vezes, compreender uma exigência ou o benefício relacionado é lidar com um emaranhado de normas, interpretações e decisões administrativas pouco transparentes. Esta complexidade é muitas vezes buscada, como forma de evitar questionamentos de parceiros comerciais. Sua consequência, também muitas vezes, é empoderar burocratas que são capturados por interesses da indústria beneficiada pela exigência.
Apesar da complexidade, os argumentos favoráveis às políticas de conteúdo local lembram sempre as possibilidades de sua relevância para os países em desenvolvimento, sobretudo quando vem acompanhada de regras de transferência de tecnologia e de treinamento de mão de obra local. Recordam ainda que as exigências de conteúdo local podem impulsionar a diversificação da base industrial, evitando que o país se torne refém do preço de poucas commodities. Nessa lógica, as regras servirão para proteger da concorrência estrangeira mais madura, e já se demonstrou que podem ter relevante impacto para a manutenção de empregos e para a estabilidade local dos preços.
Os críticos não se rendem a esses argumentos. Além da complexidade das regras, argumentam ainda a pouca flexibilidade das regras de conteúdo local, o que acabs impedindo uma adaptação das regras à realidade mutante do mercado. Mais ainda, demonstram como impactam negativamente nos custos dos projetos e nos prazos de execução. Recordam que é a indústria a jusante (ou os consumidores) que acabam pagando o custo pelo produto local. Ainda, enfatizam que as exigências de conteúdo local não têm prazo, ou têm seu prazo prorrogado pela pressão da indústria beneficiada.

Fonte: JOTA

10 crônicas de Eduardo Galeano para sacudir o que você pensa sobre o Direito

Por Brenno Tardelli

Lembro-me da primeira vez que li Don Eduardo Galeano. Não tinha sequer ouvido falar do mago uruguaio – estava nas primeiras semanas do curso na Faculdade de Direito, cru politicamente. Para se ter uma ideia, lia Veja e a ela dava o mais religioso voto de credulidade.
Estava à toa na banca da praça Coriolano, na Lapa, em São Paulo, quando comecei a girar aquelas estantes de meia altura só com pocket book – livros geralmente clássicos. Girava apenas pelo prazer desentediante de girar. Não pretendia adquirir nenhum livro. Apenas girava, olhando Agatha Christie, Conan Doyle, Eça de Queiroz, Machado girando e girando.
Sabe-se lá que jogada do destino fui vítima quando parei a giratória de frente para o “De pernas para o ar – a escola do mundo ao avesso”. A capa tinha o que me parecia um personagem de circo logo abaixo do nome do autor: Eduardo Galeano. Bisbilhotei, comecei a ler e nunca mais fui nada parecido com que era.
Continuo cru, com muito a aprender. No entanto, tomei a audácia separei uma minúscula parte de sua obra – apenas dos livros Espelhos e Os filhos dos dias, referente a Galeano e o Direito. Poderiam ser tantas outras, mas ficarão para outra oportunidade.
Divirta-se.

10.

Sobre Positivismo e muito de Direitos das mulheres

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Susan também não pagou

Os Estados Unidos da América vs. Susan Anthony, Distrito Norte de Nova York, 18 de junho de 1873.
Promotor distrital Richard Crowley: No dia 5 de novembro de 1872, Susan B. Anthony votou num representante no Congresso dos Estados Unidos da América. Naquele momento era ela mulher, e suponho que não haverá dúvidas em relação a isso. Ela não tinha direito de voto. É culpada de violar a lei.
Juiz Ward Hunt: A prisioneira foi julgada de acordo com o estabelecido na lei.
Susan Anthony: Sim, Senhoria, mas são leis feitas pelos homens, interpretadas pelos homens e administradas pelos homens a favor dos homens e contra as mulheres.
Juiz Ward Junt: Que a prisioneira fique de pé. A sentença desta Corte manda que ela pague uma multa de cem dólares mais as custas do processo.
Susan Anthony: Não pago nem um tostão.

9.

Sobre Processo Penal e a vida e a morte em 100% de audiências brasileiras

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Somos todos culpados

O Directorium Inquisitorium publicado pela Santa Inquisição no século XIV, difundiu as regras do suplício, e a mais importante ordenava:
Será torturado o acusado que vacile em suas respostas.

 8.

Sobre Direito Penal e sua Seletividade


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Criminologia

A cada ano, os pesticidas químicos matam pelo menos três milhões de camponeses.
A cada dia, os acidentes de trabalho matam pelo menos dez mil trabalhadores.
A cada minuto, a miséria mata pelo menos dez crianças.
Esses crimes não aparecem nos noticiários. São, como as guerras, atos normais de canibalismo.
Os criminosos andam soltos. As prisões não foram feitas para os que estripam multidões. A construção de prisões é o plano de habitação que os pobres merecem.
Há mais de dois séculos, se perguntava Thomas Paine:
“Por que será que é tão raro que enforquem alguém que não seja pobre?”
Texas, século XXI: a última ceia delata a clientela do patíbulo. Nunguém pede lagosta ou filet mignon, embora esses pratos apareçam no menu de despedida. Os condenados preferem dizer adeus ao mundo comendo hambúrguer e batata frita, como de costume.

 7.

Sobre Financeiro, Bancário, Tributário…

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Malditos sejam os pecadores

No idioma aramaico, que Jesus e seus apóstolos falava,, uma mesma palavra significava dívida e pecado.
Dois milênios depois, os pobres do mundo sabem que a dívida é um pecado que não tem expiação. Quanto mais você paga, mais você deve; e no Inferno está à sua espera com os credores.

 6.

Sobre Família, Patriarcado e Feminismo

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Barbie vai à guerra

Existe mais de um bilhão de Barbies. Só os chineses superam essa população tão enorme.
A mulher mais amada do mundo não poderia falhar. Na guerra do Bem, contra o Mal, Barbie se alistou, bateu continência e foi para a guerra do Iraque.
Chegou à frente de batalha vestindo fardas de terra, mar e ar, feitos sob medida, que o Pentágono examinou e aprovou.
Ela está acostumada a mudar de profissão, de penteado e de roupa. Também foi cantora, esportista, paleontóloga, dentista, astronauta, bailarina e sei lá mais o quê, e cada novo ofício implica um novo look e um novo vestuário completo, que todas as meninas do mundo estão obrigadas a comprar.
Em fevereiro de 2004, Barbie também quis mudar de par. Fazia quase meio século que estava ao lado de Ken, que não tem no corpo outra saliência além do nariz, quando foi seduzida por um surfista australiano que a convidou para cometer o pecado do plástico.
A empresa Mattel anunciou, oficialmente, a separação.
Foi uma catástrofe. As vendas desabaram. Barbie podia, e devia mudar de ocupação e de vestidos, mas não tinha o direito de dar mau exemplo.
Então a empresa Mattel anunciou, oficialmente, a reconciliação.

 5.

Sobre Maria da Penha

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Perigo no ar
A rádio de Paiwas nasceu no centro da Nicarágua, às vésperas do século XXI.
O programa de maior audiência ocupa as madrugadas: “A bruxa mensageira” acompanha milhares de mulheres e mete medo em milhares de homens.
Às mulheres, a bruxa apresenta amigos desconhecidos, como esse tal de Papanicolau e a senhora Constituição, e fala de seus direitos, violência zero na rua, na casa e também na cama, e pergunta a elas:
- “Como foi sua noite? Como foi tratada? Deu com prazer ou foi meio à força?”
E os homens são denunciados com nome e sobrenome quando violam ou batem em suas mulheres. Pelas noites, a bruxa vai de casa em casa, em vôo de vassoura; e nas madrugadas, acaricia sua bola de cristal e adivinha segredos na frente do microfone:
- “Ahá! Você está por aí, estou vendo você por aí. Batendo na sua mulher. Que barbaridade, que horror!”
A rádio recebe e difunde as denúncias que os policiais não atendem. Os policiais estão ocupados com os ladrões de gado, e uma vaca vale mais que uma mulher.

 4.

Sobre Marcas e patentes

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Perigo nos Andes

A raposa vinha descendo do céu, quando os papagaios arrebentaram, a bicadas, a corda pela qual ela deslizava.
A raposa se espatifou contra os altos picas da cordilheira dos Andes e, ao se espatifar, espalhou a quinua que trazia na barriga, roubada dos festejos celestes.
Assim, a comida dos deuses foi semeada no mundo.
Desde aquela época, a quinua vive em terras muito altas, onde só ela é capaz de aguentar a aridez e o frio.
O mercado mundial jamais prestou a menor atenção a essa desprezível comida de índio, até que se soube que o minúsculo grãozinho, capaz de crescer onde nada cresce, é um alimento muito bom, não engorda e evita algumas doenças. Em 1994, a quinua foi patenteada por dois pesquisadores da Colorado State University (US Patent 5304718).
Desatou-se, então, a fúria dos camponeses. Os patenteadores asseguraram que não iam usar seu direito legal de proibir o cultivo, nem cobrar nada por isso, mas os camponeses, indígenas bolivianos, responderam:
- Não precisamos que venha nenhum professor dos Estados Unidos nos doar o que é nosso.
Quatro anos mais tarde, o escândalo universal obrigou a Colorado State University a renunciar à patente.

 3.

Sobre Judiciário na Ditadura ou “In dubio pro hell”

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A Justiça nos tempos de Franco

Acima, no alto do estrado, envergando sua toga negra, o presidente do tribunal.
À direita, o advogado.
À esquerda, o promotor.
Degraus abaixo, o banco dos réus, ainda vazio,
Um novo julgamento vai começar.
Dirigindo-se ao meirinho, o juiz, Algonso Hernández Pardo, ordena:
- Faça o condenado entrar.

2.

Sobre Direitos e Liberdades Civis

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A mãe e o pai dos direitos civis

Num ônibus que circulava pelas ruas de Montgomery, Alabama, uma passageira negra, Rosa Parks, negou-se a ceder seu assento a um passageiro branco.
O motorista chamou a polícia.
Chegaram os guardas, disseram: lei é lei, e prenderam Rosa por perturbar a ordem pública.
Então um pastor desconhecido, Martin Luther King, propôs, em sua igreja, um boicote contra os ônibus. E propôs assim:
A Covardia pergunta:
- É seguro?
A Conveniência pergunta:
- É oportuno?
E a Vaidade pergunta:
- É popular?
Mas a Consciência pergunta:
- É justo?
Ele também foi preso. O boicote durou mais de um ano e desencadeou uma maré irrefreável, de costa a costa, contra a discriminação racial.
Em 1968, na cidade sulina de Memphis, um tiro arrebentou o rosto do pastor King, quando ele estava denunciando que a máquina militar comia negros no Vietnã.
De acordo com o FBI, ele era um sujeito perigoso.
Como Rosa. E como muitos outros pulmões do vento.

 1.

Apenas Galeano

eduardo-galeano

Objetos perdidos

O século XX, que nasceu anunciando paz e justiça, morreu banhado em sangue e deixou o mundo muito mais injusto que o que habia encontrado.
O século XXI, que também nasceu anunciando a paz e justiça, está seguindo os passos do século anterior.
Lá na minha infância, eu estava convencido de que tudo o que na terra se perdia ia parar na lua.
No entanto, os astronautas não encontraram sinhôs perigosos, nem promessas traídas, nem esperanças rotas.
Se não estão na lua, onde estão?
Será que na terra não se perderam?
Será que na terra se esconderam?
Fonte: Justificando

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Mulher árabe preside pela primeira vez Conselho de Segurança da ONU

Embaixadora jordaniana Dina Kawar assumiu posto neste mês.
Em entrevista, ela criticou a imagem que o mundo tem da mulher árabe.


Pela primeira vez após quase 70 anos de história, o Conselho de Segurança das Nações Unidas será presidido neste mês por uma mulher árabe, a embaixadora jordaniana Dina Kawar.
Dina assumiu nesta semana o posto que corresponde a seu país dentro da rotação mensal na qual os membros dividem a presidência do principal órgão de decisão das Nações Unidas.
A jordaniana Dina Kawar, em foto do seu Twitter (Foto: Reprodução/Twitter/Dina Kawar)
A jordaniana Dina Kawar, em foto do seu Twitter
A diplomata jordaniana dirigirá deste modo os trabalhos do Conselho durante abril e será a encarregada de transmitir ao mundo as mensagens acordadas entre os 15 membros.
Dina é uma das quatro mulheres que atualmente fazem parte do Conselho de Segurança, que em 2014 teve a maior presença feminina de sua história, com seis representantes permanentes.
Em seu país, a embaixadora perante a ONU foi uma das primeiras mulheres no serviço diplomático, chegando ao cargo por desejo expresso do rei Abdullah II, explicou a funcionária em recente entrevista.
Antes de chegar às Nações Unidas no ano passado, Dina foi embaixadora na França entre 2001 e 2013 e durante parte desse período, se ocupou também das relações de seu país com Portugal e o Vaticano.
Previamente, Dina tinha dirigido os escritórios privados em Paris do rei Abdullah II e do príncipe Hassan, após ter se formado nos Estados Unidos, onde estudou relações internacionais no Mills College e na Universidade de Colúmbia.
Estereótipo da mulher árabe
A chegada de Dina à presidência do Conselho de Segurança da ONU foi celebrada, entre outros, pela embaixadora americana perante a instituição, Samantha Power, que a felicitou por ser a primeira mulher árabe a ocupar o cargo.

"Estar no Conselho de Segurança e representar meu país é uma honra enorme para mim", disse Dina em sua entrevista ao site Al Monitor, na qual reconheceu que desde seu posto trata também de representar todas as mulheres árabes.
A embaixadora jordaniana lamenta que no mundo muita gente tenha apenas "uma imagem da mulher árabe" e seja difícil superar esse estereótipo no qual ela não encaixa.
"Às vezes me perguntam, por que você não é como uma mulher árabe? E eu respondo que sou uma mulher árabe. (...) Se não se encaixa na imagem do que acreditam ser uma mulher árabe, então eles acham que você não é uma", explicou na citada entrevista.
Com relação ao futuro, Dina espera ver uma maior "igualdade" entre mulheres e homens nos países árabes e que as mulheres tenham mais confiança em si mesmas e se ajudem.
Fonte: G1

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Afegã é induzida a se casar com seu estuprador

Gulnaz, afegã acusada de adultério após ter sido estuprada por um primo de seu marido
Gulnaz, afegã acusada de adultério após
ter sido estuprada por um primo
de seu marido
(CNN/Reprodução)
Uma mulher afegã foi obrigada a se casar com o homem que a estuprou depois de ser condenada a prisão por adultério. Gulnaz foi abusada aos 16 e sentenciada a 12 anos de cadeia porque seu agressor era casado. Posteriormente, ganhou o perdão presidencial e sua pena foi reduzida, mas diante da vergonha e rejeição de uma sociedade conservadora, foi induzida a se casar com Asadullah, o homem que a atacou.
A história foi revelada pela rede de televisão americana CNN, que conversou com Gulnaz e seu marido na casa onde vivem com seus três filhos, entre eles Smile, fruto do estupro e que passou seus primeiros anos na prisão com a mãe. A primeira esposa de Asadullah, que por coincidência é prima de Gulnaz, e as crianças que nasceram dessa união também moram sob o mesmo teto.
Asadullah defende que agiu de acordo com as regras morais estabelecidas no Afeganistão e que acolheu Gulnaz após seus irmãos a terem rejeitado. "Se eu não tivesse casado com ela, de acordo com as nossas tradições, ela não poderia voltar a viver em sociedade", disse. Ao lado de seu marido, a afegã confirma a versão: "Nós somos tradicionais. Quando sujamos nosso nome, preferimos a morte a viver em sociedade com esse nome". Conta também que não pensa mais no estupro e que está feliz com sua vida atual.
No entanto, ao ser entrevistada sozinha, Gulnaz afirma que seus irmãos a teriam aceitado de volta, mas que decidiu se casar pelo bem de sua filha, que pode ser legitimada. "Mas agora que estamos casados eles me renegaram e não querem mais me ver", disse. Expressou também sua infelicidade: "Não, eu não pude realizar meus desejos de vida. Eu me casei com esse homem, eu cortei relações com a minha família para poder comprar o futuro da minha filha".
"Infelizmente, Gulnaz foi fortemente pressionada a se casar com seu agressor por várias pessoas dentro do governo o que, por si só, foi imensamente decepcionante", disse sua antiga advogada, Kimberley Motley. "Gulnaz foi constantemente alertada de que nem ela nem sua filha seriam protegidas caso não sucumbisse à pressão de se casar... Gulnaz se tornou essencialmente uma prisioneira de seu próprio ambiente", afirmou.
Desde que sua história foi divulgada pela mídia, muita coisa mudou para Gulnaz, que agora vive presa em sua casa. Em 2011, uma petição com quase 5.000 assinaturas foi enviada ao presidente afegão Hamid Karzai, pedindo a sua libertação da prisão. A reação veio após a União Europeia proibir a exibição de um documentário sobre a afegã, temendo pela sua segurança.
Fonte: Veja

terça-feira, 7 de abril de 2015

Você quer mesmo deixar o Brasil? Tem certeza?

Ontem recebi um email dando boas-vindas a um novo estudante na turma de pré-jardim de infância da minha filha, de quatro anos. Muitos pais responderam o email com mensagens acolhedoras e animadas – então o pai do novo menino escreveu de volta, agradecendo o carinho e enviando uma foto da família. Mas avisou: “sou o mais alto.” Ali estava uma família de dois homens negros e um lindo menino. Mostrei a foto para minha filha e disse: “este é o seu novo amiguinho da escola!” Ela sorriu, disse que ele parecia com um outro coleguinha, e voltou a brincar. Nós somos brancas – e judias. Nossa escola é pública. 
A combinação de três aspectos desse episódio provavelmente, e infelizmente, seria improvável no Brasil, ou pelo menos na Zona Sul carioca, onde fui criada: (1) escola pública, (2) um casal de dois homens negros, pais de um menino e (3) minha filha na mesma turma que ele. No entanto, moramos no Brooklyn, em Nova York. E a vida aqui é assim. Bem-vindo ao avesso do que você conhece. 
Há quase 20 anos cheguei em Manhattan para ficar três meses. Desde então, nunca fui abordada por tantos brasileiros de classe média (e de classe média alta) querendo deixar o Brasil, como nos últimos cinco meses. O que mais me choca? Não são os cidadãos mais humildes, aqueles dos quais já esperamos uma insatisfação concreta e uma busca por uma vida melhor, a qualquer preço. Tenho falado com pessoas na faixa dos 40 anos, com apartamentos (e que apartamentos!) próprios, carreira sólida, filhos na escola, carros na garagem. Pensam em largar tudo e trocar de país, para dar um futuro melhor para os filhos. 
A jornada de expatriação deles seria diferente da minha: cheguei com uma mala pequena, fiz um curso, que acabou em estágio, seguido de emprego, uma carreira como correspondente para a mídia brasileira, alguns livros, um Green Card, um casamento, uma filha. Nada foi planejado: vim jovem, sem nada a perder, tendo uma família sólida no Brasil, para onde sempre poderia voltar. Então decidi por essa cidade fértil, ao mesmo tempo difícil, onde você começa todos os dias comendo desafios no café da manhã. 
Nova York é tão internacional que só me senti mergulhando na cultura americana quando minha filha entrou para a escola e passei a conviver com outras mães: é tudo do avesso e de cabeça para baixo. Se por um lado amo não ter babá, por outro me arrepio com o mundo da pizza de um dólar no almoço, e entro em parafuso quando escuto que “beijos espalham germes”. 
Sair da zona de conforto é sempre bom. Viver no país da meritocracia, do compromisso e da palavra, é uma delícia. Andar pela rua sem violência é uma dádiva. Aqui “as coisas funcionam” porque as pessoas funcionam. E mostrar um outro lado da vida para os filhos (e eu não estou falando da Disney, senhoras e senhores) é um privilégio. Um dos grandes aprendizados que meus pais me proporcionaram foi viver (sem eles) por dois meses em um kibutz em Israel, aos 17 anos. Eu trabalhava em uma fábrica de alimentos de soja (na época, o mundo desconhecia a soja; hoje, esse grão vale milhões): levantava às quatro da manhã, no inverno, e fazia de tudo. Um dia, um gerente me deu um balde e disse para eu tirar os resíduos de soja dos ralos. Perguntei a ele: “por que eu?”. Ele respondeu: “por que não você?” 
Esse foi um enorme aprendizado para alguém que nasceu num sistema Casa Grande/Senzala, que o Brasil cultiva até hoje, a ponto de ter se tornado invisível para a maior parte dos brasileiros. Se você tem porteiro, empregada, motorista, babá , folguista e despachante, pense antes de fazer as malas e tirar os filhos da escola, rumo ao exterior. Para sair do Brasil, você precisará rever alguns valores. Talvez seja bacana fazer estas perguntas para si, e para quem você estiver pensando em trazer consigo, antes de tomar a decisão de colocar sua mudança num container: 
1. Qual cidade a que você se adaptaria melhor? Você encara neve e inverno de bom-humor? Gosta de competitividade? Prefere uma cidade tranqüila? 
2. Qual a sua definição de sucesso? Ser o presidente de uma empresa ou poder chegar cedo em casa e jantar com os filhos? Fazer o que você ama sem ganhar muito ou se sujeitar a um trabalho desinteressante ou estressante para garantir um bom salário? Se você já tem uma carreira estabelecida no Brasil, é muito provável que  tenha de dar um ou dois ou três passos atrás em um novo país. Você está disposto a isso? 
3. Caso você emigre para um país de língua estrangeira: você fala e escreve inglês? Você fala e escreve espanhol? Português é lindo, o Tom Jobim é famoso e as Havaianas já conquistaram o mundo. Mas a nossa língua, infelizmente, não nos leva muito longe. Sim, há exceções. Você pode trabalhar em empresas brasileiras. Ainda assim, o mundo em volta não fala português. 
4. Você tem família no Brasil? Pais vivos? Eles precisam de você? Uma das tristezas de morar fora é ver nossos pais envelhecendo sem a nossa presença. Pense bem nisso. 
5. Adaptabilidade é uma das maiores virtudes das “pessoas do mundo”. Qual a sua capacidade de se adaptar a novas rotinas e culturas? 
6. Você é casado? Seu marido ou mulher são abertos a mudanças? Estão com a mesma vontade de emigrar? Vivem sem feijoada, futebol e churrasco? Há pessoas que não conseguem abrir mão de alguns hábitos, e têm dificuldade de enxergar as coisas boas do novo país. São os chamados “impermeáveis”: a cultura nova não entra de jeito nenhum. E isso é um problema gravíssimo, que pode acabar em depressão e isolamento. 
O Brasil, não posso esquecer, recebeu meus quatro avós, vindos da Alemanha, do Líbano e da Síria. Nessas duas gerações, nosso país deixou de abraçar levas de imigrantes para exportar gente mundo afora. Não se engane: todo mundo sente falta do pão de queijo, da afetividade, da música brasileira. A saudade, no entanto, termina, muitas vezes, na boca do guichê do consulado brasileiro, onde sempre falta uma cópia autenticada de um documento que não serve para nada. Escrevi um livro que reúne depoimentos em primeira pessoa de 23 brasileiros que se mudaram para Nova York. Eles vieram de todos os cantos e origens sociais, mas têm uma característica em comum: a persistência. 
Um deles, o fotógrafo Vik Muniz, ressalta que “não existe Shangrilá”. Mesmo emigrando, você vai reclamar de algum aspecto na nova morada. E, depois ou durante uma experiência no exterior, é importante devolver algo ao Brasil. Seja em forma de filantropia, de investimento que gere empregos, ou voltando para melhorar algo que pode ser aprimorado. Por fim: nunca espere que o governo (seja esta lástima atual ou qualquer outro) faça algo por nós ou em nosso lugar. Regra que vale para qualquer lugar do mundo. Mas, especialmente no Brasil, já aprendemos que isso é esperar demais.     

Tania Menai é jornalista, escreve para diversas publicações brasileiras e acaba de lançar a Anáma Films, para contar histórias de famílias. Autora do blog “Só em Nova York”, na Revista TPM, ela também colabora para o blog “Tudo sobre Minha Mãe”. Seu livro “Nova York do Oiapoque ao Chuí – relatos de brasileiros na cidade que nunca dorme” está esgotado, mas é vendido no exterior via o site do livro, no Brasil via editora (telefone!), ou pessoalmente no Le P´tit Café, no Rio de Janeiro. 

Fonte: DRAFT

ONU-Habitat convoca jovens a inscrever projetos no Fundo para a Juventude

Mais de 256 projetos em todo o mundo já receberam contribuições do Fundo para a Juventude do ONU-Habitat. Imagem: ONU-Habitat
As propostas vencedoras podem receber até 25 mil dólares. A convocatória está aberta para organizações jovens de todos os países até 15 de abril.
O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) lançou a sétima convocatória para o Fundo para a Juventude Urbana, que financia projetos com enfoques inovadores e liderados por jovens (entre 15 e 32 anos). As iniciativas devem trabalhar temas relacionados ao emprego, boa governança urbana, moradia, segurança da propriedade e reabilitação de risco. As propostas vencedoras podem receber até 25 mil dólares.
O Fundo para a Juventude Urbana tem o objetivo de ajudar às organizações voltadas para jovens no desenho e execução de projetos que contribuam para a urbanização sustentável do mundo em desenvolvimento. Além disso, o Fundo visa a ressaltar as boas ideias de projetos de sucesso liderados por jovens e aumentar o conhecimento sobre a necessidade de incorporar suas perspectivas nas políticas e estratégias de desenvolvimento.
O prazo de inscrição termina em 15 de abril de 2015. Para saber mais, clique aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Palestina se torna oficialmente membro do Tribunal Penal Internacional

Em cerimônia realizada nesta quarta-feira (01/abr/2015) na sede do Tribunal, em Haia, na Holanda, a Palestina aderiu oficialmente ao TPI.
A vice-presidente do TPI, juíza Kuniko Ozaki (direita), e o ministro de Relações Exteriores da Palestina, Riad Al-Malki, se dirigindo à cerimônia de boas-vindas da Palestina como Estado-membro do TPI. Foto: TPI
A vice-presidente do TPI, juíza Kuniko Ozaki (direita), e o ministro de Relações Exteriores da Palestina, Riad Al-Malki, se dirigindo à cerimônia de boas-vindas da Palestina como Estado-membro do TPI. Foto: TPI
A Palestina aderiu oficialmente, nesta quarta-feira (01), ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em cerimônia realizada na sede do Tribunal, em Haia, na Holanda. O ministro palestino das Relações Exteriores, Riad Al-Malki, recebeu das mãos da vice-presidente do TPI, a juíza Kuniko Ozaki, uma edição especial do Estatuto de Roma, como um símbolo de seu compromisso conjunto com o Estado de Direito.
“A adesão a um tratado é apenas o primeiro passo”, disse Ozaki, “no momento em que o Estatuto de Roma hoje entra em vigor para a Palestina, o país adquire todos os direitos, bem como as responsabilidades que vêm com ser um Estado-membro do Estatuto. São compromissos substanciais, que não podem ser tomados de forma simplória”.
“À medida que a Palestina torna-se formalmente um Estado-membro do Estatuto de Roma, hoje, o mundo também dá um passo no caminho para encerrar uma longa era de impunidade e injustiça”, disse o ministro palestino Al-Malki.
Fonte: ONU Brasil